O aumento da procura por veículos usados e seminovos ampliou a busca por modelos de cidades costeiras, reacendendo a discussão sobre os impactos da maresia no estado e no preço de venda desses automóveis.
Exposição ao sal não condena o carro por si só
Especialistas explicam que a localização geográfica isoladamente não determina a qualidade do veículo. Fatores como tempo de exposição ao ambiente marinho, frequência de lavagens, condição de armazenamento e histórico de manutenção pesam mais do que o simples fato de ter circulado próximo ao mar.
Processo de corrosão é lento, mas contínuo
Pesquisas publicadas entre 2019 e 2023 pelas universidades de Manchester e Chalmers indicam que microcristais de sal em contato com alta umidade aceleram a oxidação ao longo dos anos. A corrosão evolui sobretudo quando não há limpeza, lubrificação ou aplicação de barreiras protetoras.
Peças mais suscetíveis
Parafusos, dobradiças, torres de amortecedor, suportes de suspensão e escapamento costumam ser os primeiros pontos a mostrar ferrugem. Conectores elétricos e terminais de bateria também sofrem corrosão. Já motor e câmbio permanecem protegidos, pois o problema se concentra nas partes expostas ao ar salino.
Idade do veículo pesa mais que a origem
Um automóvel com dez a quinze anos de uso no litoral, sem manutenção preventiva, tende a apresentar sinais de corrosão mais evidentes do que um seminovo que permaneceu pouco tempo na mesma região. Por isso, modelos antigos de áreas praianas costumam exigir inspeção mais criteriosa.
Preço só cai se o estado geral estiver comprometido
A desvalorização não deve ser automática. Quilometragem, registros de revisão, histórico de sinistros e conservação da estrutura ainda definem o valor final. Um carro bem cuidado no litoral pode ter cotação semelhante à de outro vindo do interior nas mesmas condições.

Imagem: estes e pelo universo automotivo
Cuidados para quem mora perto da praia
Lavagens frequentes — incluindo a parte inferior —, polimento com proteção na pintura e lubrificação de dobradiças reduzem os efeitos da maresia. Manter o veículo em garagem coberta e inspecionar periodicamente suspensão e coifas ajuda a preservar componentes sensíveis.
Dicas ao avaliar um usado de cidade costeira
Antes da compra, verifique ferrugem em parafusos, início de corrosão em para-lamas, oxidação em terminais elétricos e desgaste do escapamento. Além da análise visual, é recomendável uma avaliação mecânica completa ou laudo cautelar emitido por empresa especializada.
Com atenção a esses pontos, o comprador consegue distinguir mito de realidade e decidir pela aquisição sem pagar mais — ou menos — do que o carro realmente vale.
Com informações de IG Carros